Aos nossos speakers desejamos o abuso de frases inflamadas mas brilhantes e se possível visionárias. A arte apanha a história sempre de surpresa. Não tenham medo, tenham coragem porque no meio de um parque e do alto de um palanque é tudo muito mais difícil.
Speakers' Corner do Estoril FashionArt Festival - Sábado 3 e Domingo 4 de Julho, no Parque Marechal Carmona, às 15h00.
3 DE JULHO / SÁBADO
15H00
SPEAKERS:
Vítor Belanciano
Um Homem na Cidade
Marisa Ribeiro
Quim Albergaria
4 JULHO / DOMINGO
15H00
SPEAKERS:
Ana Couto
Alberto Caselli
Anamar
Manuel Fúria
'DISCO' - quando o efémero vira intemporal
Dizia-se que era uma cultura efémera, que não iria durar mais do que um Verão, mas o 'disco' continua a provocar ondas de entusiasmo hoje em dia. Dizia-se que era para minorias, como os "gays" ou os negros, mas não existe casamento tradicional onde não se oiça "I feel love" de Donna Summer ou "Le freak" dos Chic, perante o delírio incontido de pais e filhos, negros e brancos, "hetero" ou "homo". Dizia-se que era superficial, mas por detrás dos êxitos óbvios escondiam-se preciosidades musicais, agora redescobertas. Dizia-se que era uma cultura inofensiva, puramente hedonista, mas revolucionou a forma como o mundo Ocidental se olha a si próprio, influenciando a moda, a economia ou a política. No campo da cultura pop, poucos fenómenos foram tão diversos, complexos e ricos, contribuindo para repensar forma como existimos. Não é para isso, afinal, que serve a arte?
VITOR BELANCIANO
"Da realidade à ficção: como averiguar do seu grau de loucura"
Uma viagem por seis meses de blogosfera, crises de fé, prozac e blind dates.
Seis meses a escrever, a martelar letras, a recolher sonhos alheios, a criar ficção, a viver na narrativa, a apaixonar-me pelas palavras dos outros, a perder aviões pelo mundo virtual, a regatear pela memória, a cinzelar momentos, a triturar ideias, a dormir em cima do teclado, a odiar palavras esdrúxulas, a tirar a gravata, a observar fronteiras, a rir-me do óbvio, a registar silêncios, a chorar desconhecidos, a acordar com as teclas na cara, a ironizar desgraças, a viajar em cavalos-de-tróia, a pensar em imagens, a planear imperfeições, a imaginar pontes, a colocar tudo em causa, a receber mensagens imaginárias, a digerir o mundo, a correr atrás de uma obsessão.
UM HOMEM NA CIDADE
O trabalho A Biografia da Roupa - ShirtCrossing considerou as peças de roupa como possuidoras de biografias que são construídas mutuamente no processo relacional entre as pessoas e as peças.
O ShirtCrossing acompanhou e registou a construção das biografias individuais de 7 camisas ao longo da sua movimentação e partilha entre uma rede de pessoas, contextos sociais e culturais.
São as histórias de cada peça e a forma como emocionalmente estas foram valorizadas pelos participantes que pretendemos contar durante a apresentação no festival, apelando para a existência de valores abstractos e emocionais, como o conhecimento da sua história e origem, que sustentam o relacionamento entre os seres humanos e os objectos.
MARISA RIBEIRO
O meu nome é Quim Albergaria, sou músico, estratega de comunicação, cronista e ilustrador. Vivo onde nasci - Lisboa, Novembro de 1980.
Tenho quase 30 anos e para os contar gostava de partilhar algumas histórias e uma ideia - é preciso ser sincero a ser hipócrita e não ter vergonha de nunca ter mudado de voz. Gostava de falar convosco sobre isso. Vemo-nos no jardim.
QUIM ALBERGARIA
"Our artificial coverings have become so much a part of our life that one may perhaps be allowed to apply the methods of the naturalist to their consideration, and treat with them as if they were part and a parcel of the creature which wears them". Weeb, 1907
O vestuário faz parte de nós. Acompanha-nos no caminho da sobrevivência da nossa espécie. Descrito por muitos teóricos de moda como a nossa segunda pele, e descrito por "outsiders" como a nossa 1ª pele (Hundertwasser), a nossa relação com o vestuário deriva da nossa corporeidade. Nesta tertúlia tentaremos explorar algumas destas evidências.
ANA COUTO
FASHION, A SIGN OF TIMES?
Is fashion now what it has always been, a seismographer of social and cultural change? Has it really the ability to contaminate art, music, pop culture and to be contaminated by them? Is it really, again, a "sign of the times"? A passionate, critical, enjoyed trip through the main phenomenon in fashion and around fashion will try to give an answer, given the assumption that economical results of fashion are bent to its social value of communication.
ALBERTO CASELLI
PALANK VOADOR #1
Há quase 100 anos, Álvaro de Campos gritava do alto do seu manifesto "Ultimatum":
"O que aí está não pode durar porque não é nada.
Eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar!
Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo.
Proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando abstractamente o infinito."
Genial. Uma mega inspiração para o século XX.
Só que pronto, já está. Hoje cabe-nos ir além.
E eu, da raça dos navegadores, proclamo bem alto que não quero menos que o infinito.
Esperar para quê? Viver Hoje é a hora.
Como? Falaremos no mar alto do jardim.
ANAMAR
Ele parte de si próprio. Da sua fundação. Do momento inaugural, a parição da História. Ele não é ele, é todos. Um homem vezes todas as histórias de todas as guerras, de todas as mortes, de todos os sangues, de todos os choros, de todos os dentes arrancados em Portugal, país por concretizar. Regional, coração transparente, extirpa-te das tripas a Pátria encravada e devolve-ta exactamente assim: escarro, sonho, parede pintada que afirma exactamente assim: "É claro que acredito no Quinto Império, porque senão o acto de viver era inútil", quem o diz é o Agostinho da Silva, vais contrariá-lo?
MANUEL FÚRIA
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